adormeço o vento
“ o dia afoga-se, lentamente, na treva do mar”
Al Berto
quando acordam as ruas
despe o manto de orvalho
[legado de água
das noites mais brandas.
veste-se no consentimento do sorriso
na tremura mais doce
que lhe sagrou o pólen nos olhos
para atravessar a dúvida na permanência dos dias.
não sabe o nome das flores
que lhe tocaram o corpo
esse mapa de viagem
migração de limbos no odor da pele
essa ferida que se ousa com a luz
e calça-se da inocência das manhãs
[ para nascer.
do voo enlouquecido dos pássaros
dos lugares extasiados no clamor das sílabas:
uma língua quente
e um rosto batido de asas.
então acende a cidade
ao substantivo do poema
que lhe crescera nos seios
até encandear os crepúsculos.
prende o enigma do silêncio à sua sombra
recolhe as pétalas de um incêndio
na alucinada visão do sol
e prepara-se para o engano das estrelas
no grande isolamento da noite.
foto: mirror

