adormeço o vento

 

 

 

o dia afoga-se, lentamente, na treva do mar”

Al   Berto

 

quando acordam  as ruas

despe o  manto de orvalho

[legado de água

das noites mais brandas.

veste-se no consentimento do  sorriso

 na tremura mais doce

que lhe sagrou o pólen nos olhos

para atravessar a dúvida na permanência  dos dias.

não sabe o nome das flores

que lhe tocaram o corpo

esse mapa de viagem

 migração de limbos no odor da pele

essa ferida que se ousa com a luz

 e calça-se da inocência das manhãs

[ para nascer.

do voo enlouquecido dos pássaros

dos lugares extasiados no clamor das sílabas:

uma língua quente

e um rosto  batido de asas.

então acende a cidade

ao substantivo do poema

que lhe crescera nos seios

até encandear os crepúsculos.

prende o enigma do silêncio à sua sombra

recolhe as pétalas de um  incêndio

na alucinada visão do sol

e prepara-se  para o engano das estrelas

no grande isolamento da noite.

foto: mirror

~ por oecodospassos em Fevereiro 28, 2010.

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