da gramática dos exílios

 

  ” ao longe, correndo para a primeira luz do dia,

estarei à tua espera, acenando com a mão esquerda,

avançando sobre o mar.

não te esqueças,

aprendi um dia como deus nos traz um sono

leve que nos cega.”

Rui Coias

 

 

que chão elucida o caminho de antigos fascínios? que rumor nocturno me ascende  ao nome sem rosto na garganta da noite? assim me rendo. sem rendas. nem refúgio. que o noite é caos pressentido à boca da lucidez .  na ponta dos dedos a palavra é um sismo. onde te abrigas. sequestro de sílabas e fonemas no paradoxo do sono. e assim morremos diante das pálpebras reféns de um relâmpago. no equivoco que antecede as tempestade. morremos sem nome . inocentemente perdidos na cegueira do erro.

 caminho  agora sobre um sódio de silêncio. as mãos estendidas ao longo do corpo. pouco a pouco apercebo-me das falésias que me são latitude e paralelo. também vertigem onde a dor se acomoda como a lava ao ventre da terra.

adio a derradeira viagem . a que me será casa. interir. definitavente pedra   lentamente  recolho o tumulto de todos os poemas. poemas de verbo crescente. os que falam de amor a conjugar-se em todos os tempos. aceito as preposições que me vão drenando o veneno do corpo.

 a jusante  um barco. e uma mulher. irreversivelmente  inclinada.

 

foto: angela bacon.kidwell 

~ por oecodospassos em Março 20, 2010.

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