da gramática dos exílios
” ao longe, correndo para a primeira luz do dia,
estarei à tua espera, acenando com a mão esquerda,
avançando sobre o mar.
não te esqueças,
aprendi um dia como deus nos traz um sono
leve que nos cega.”
Rui Coias
que chão elucida o caminho de antigos fascínios? que rumor nocturno me ascende ao nome sem rosto na garganta da noite? assim me rendo. sem rendas. nem refúgio. que o noite é caos pressentido à boca da lucidez . na ponta dos dedos a palavra é um sismo. onde te abrigas. sequestro de sílabas e fonemas no paradoxo do sono. e assim morremos diante das pálpebras reféns de um relâmpago. no equivoco que antecede as tempestade. morremos sem nome . inocentemente perdidos na cegueira do erro.
caminho agora sobre um sódio de silêncio. as mãos estendidas ao longo do corpo. pouco a pouco apercebo-me das falésias que me são latitude e paralelo. também vertigem onde a dor se acomoda como a lava ao ventre da terra.
adio a derradeira viagem . a que me será casa. interir. definitavente pedra lentamente recolho o tumulto de todos os poemas. poemas de verbo crescente. os que falam de amor a conjugar-se em todos os tempos. aceito as preposições que me vão drenando o veneno do corpo.
a jusante um barco. e uma mulher. irreversivelmente inclinada.
foto: angela bacon.kidwell

